[Escute]
Danilo Bortoli [6]
Toda vez que escuto uma canção nova do Gold Panda, a memória de escutar pela primeira vez "You", a obra-prima de Lucky Shiner, vem junto. E, desde então, tudo tem sido comparado àquela canção (inclusive desde "You (Ha Ha Ha)", de Charli XCX, do começo do ano.) "We Work Nights" é um pouco melhor que "Brazil" na tentativa de criar aquele sentimento de inserção, até porque a primeira coisa que se nota na nova canção é como a a sobreposição de elementos (e a longa duração) é feita para revelar-se só no terceiro minuto. De qualquer forma, mesmo que o impacto não seja o mesmo, tudo indica que Gold Panda é um mestre na arte de criar expectativas e nunca mostrar realmente o clímax.
Felipe Reis [7]
Bem melhor que a footwork-oriented "Brazil", "We Work Nights" mostra o Gold Panda voltando à essência que marcou seu trabalho em Lucky Shiner. Temos glitches (olha a quebradinha logo no começo), repetição de batidas, melodias "humanas" (The Field manda lembranças) e um sampler de música oriental, a marca registrada do produtor - elementos que, juntos, vão construindo uma atmosfera envolvente, uma espécie de elaboração de clímax camuflado. Tudo isso, apesar de bem executado, não consegue tirar totalmente o ar derivativo do som. Aqui ele se revela um filho do Four Tet que, sem o timing perfeito (o que existe em suas melhores faixas), ainda não sabe trilhar sua própria estrada. O que ele faz a mercê da inspiração eventual, no entanto, continua digno de alguns spins.
Pedro Primo [6.5]
No mesmo ano que ganhamos algo como The North Borders do Bonobo (e faixas como "Emkay"), parece essencial perceber como artistas de IDM ainda se orientam fortemente pela percussão de suas faixas. We Work Nights talvez não possua o mesmo frescor das melhores faixas do Gold Panda, e nem as tiradas estilosas de um Four Tet, mas todo trabalho de imersão se justifica pela presença onipotente da bateria eletrônica e dos arranjos de cordas que sempre se intrometem na construção imagética da faixa. Mil e uma noites nas areias das Arábias.
6.5

Nenhum comentário:
Postar um comentário